Texto escrito pelo autor pelo tempo de experiência com resumo realizado pela inteligencia artificial.
A atividade leiteira é fundamental para a agricultura familiar, pois representa uma importante fonte de renda e de dinamização da economia agrícola. No entanto, pesquisas da Epagri apontam que a criação integrada de terneiras é um dos principais gargalos da produção leiteira, impactando qualidades os custos, a eficiência produtiva e a vida útil das vacas.
Além disso, a genética, a nutrição e o manejo das terneiras e novas influenciam diretamente o desempenho produtivo e econômico do rebanho, variando conforme o sistema de criação, especialmente entre confinamento e sistemas a pasto, que dependem das condições edafoclimáticas e do manejo adotado.
Este material tem como objetivo divulgar informações técnicas sobre a criação de terneiras de configuração em sistemas de produção à base de pasto, reunindo conhecimentos gerados pela pesquisa e pela extensão rural de Santa Catarina, bem como por instituições de pesquisa nacionais e internacionais.
Entre os principais temas planejados estão: assistência ao parto, colostragem, manejo no aleitamento, uso de concentrados, pastagens e feno, além de instalações específicas.
Autor: Carlos Otavio Mader Fernandes
Resumo do texto Fonte: Boletim Didático Nº 91 Florianópolis: Epagri, 2012, 45 p.
Criação de terneiras: a vaca do futuro
Recomendo fazer leitura complementar de outro texto:
Consumo de água pelos animais
Antes mesmo de falar das bezerras, primeiro precisamos falar das mães dos mesmos.
A vaca ou novilha
Portanto sessenta (60) dias antes do parto, a vaca deve ser seca e mantida em descanso, recebendo dieta aniônica e permanecendo em piquete pré-parto (local limpo, plano e com pastagem).
No entanto recomenda-se a vacinação contra salmonelose e pasteurelose no oitavo mês de gestação.
Bem como deve-se utilizar vermífugo específico para férias no período seco.
A condição corporal deve permanecer entre 3,5 e 3,75, evitando-se valores superiores a esse intervalo.
Alguns dias antes do parto, separam-se os animais em um piquete menor, exclusivo para vacas secas ou novilhas próximas ao parto.
Toda via realiza-se o monitoramento diário dos animais durante esse período.
Parto (local, cuidados, umbigo)
Toda via o piquete de parto deve ser um local bem limpo, no pasto ou em área cercada com palha seca (podendo ser em galpão no inverno). Deve-se acompanhar o momento do parto e interferir apenas entre 8 e 12 horas após o início, se necessário.
Bem como após a parição, deve-se permitir que a vaca lamba o bezerro e auxilie na remoção do muco das narinas e da boca, além de esfregar o animal para estimular a respiração.
Mantenha o úbere e as tetas da vaca limpa no momento em que o bezerro para mamar.
Alguns produtores retiram o colostro com a mão ou com a máquina de hordenha e colocam em uma mamadeira para fornecer ao bezerro.
Realiza-se a cura do umbigo com corte feito por tesoura previamente desinfetada em iodo a 10%, a aproximadamente 5 cm abaixo do início do cordão umbilical.
Em seguida, mergulhe o umbigo em solução de iodo a 10% em um copo de café pretendido e descarte o copo após o uso.” Ex: (10 ml de áagua para 90 ml de iodo).
Repete-se o procedimento três vezes, com intervalos de 12 horas entre cada aplicação.
As pessoas que realizam esses procedimentos devem estar sempre bem higienizadas, com as mãos devidamente desinfetadas.
Colostragem (quando, quando e como)
Retire o colostro da vaca e forneça-o ao bezerro imediatamente após o parto, na quantidade de 12–15% do peso vivo. Ofereça essa quantidade de 3 a 4 vezes nas primeiras 24 horas, utilizando mamadeiras.”
> É importante avaliar o colostro, que deve estar livre de sangue e sinais de infecção.
Medir o colostro pela sua qualidade.
Medir a qualidade do colostro é fundamental.
Para isso, utilize o colostrômetro (hidrômetro), pois existe uma forte relação entre a gravidade específica do colostro e a concentração de imunoglobulinas (Ig).
Excelente (verde) para valores de Ig maiores que 50 mg/mL.
Moderado (amarelo) para o intervalo de 20 – 50 mg/ mL;
Baixa qualidade (vermelho) quando Ig < 20 mg/mL;
Recomenda‑se armazenar colostro, preferencialmente de vascas a partir da terceira semana, devido ao melhor status imunológico desses animais.
“Após cada uso, lave e desinfete todos os instrumentos utilizados nos bezerros.”
Nesse momento, é importante realizar a identificação individual do animal, registrando informações como sexo, dados do parto, mãe e peso, além de colocar um brinco ou outra marcação individual.
Também é importante manter um caderno exclusivo para o controle dos bezerros.
Criação de bezerras (aleitamento, instalações)
Aleitamento:
> Do primeiro ao terceiro dia: 6 litros/dia;
> Do quarto ao trigésimo dia: 4 litros/dia;
> Do trigésimo ao quadragésimo dia: 3 litros/dia;
> Do quadragésimo quinto ao sexagésimo dia: 2 litros/dia.
Fornecimento de leite duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde.
> Deve-se ter cuidado com a higienização das mamadeiras e baldes; o bezerro deve ingerir o leite sempre com o pescoço elevado, utilizando baldes posicionados acima da cabeça.
> O leite pode ser integral, das próprias vacas, ou em pó diluído em água.
Independentemente do tipo de leite fornecido, prepare-o com rigorosa higiene e temperatura entre 35 e 37 ºC; recomenda-se usar instrumentos de medição.”
Em várias propriedades onde estou trabalhando, os produtores fornecem leite de vaca nos primeiros 30–40 dias e, a partir de então, passam a reduzir gradativamente essa oferta, misturando-o com leite em pó até o desmame, que ocorre aos 60 dias.
Há propriedades que utilizam apenas leite em pó, havendo diversas marcas disponíveis no mercado.
Após o uso, lave, desinfete e seque bem as mamadeiras e armazene-as em local fechado.
Instalações:
As bezerras devem ser alojadas em casinhas individuais, em locais secos e livres de correntes de ar.
Concentrado, feno e água
É interessante, já entre o 3º e o 4º dia de vida, oferecer pequenos amostras de concentrado juntamente com o leite, diretamente na mão, para que o bezerro comece a se familiarizar e gostar desse alimento desde cedo.
Dessa forma, facilita-se a adaptação do animal à dieta sólida e o desenvolvimento adequado do rúmen.
De acordo com as pesquisas, quanto mais cedo o bezerro começar a consumir ração, mais rápido ocorre o amadurecimento do rúmen e, como resultado, o desenvolvimento do animal também se torna mais rápido.
> Recomenda-se o uso de concentrados específicos para bezerros, com 18 a 22% de proteína bruta.
> Para estimular o consumo de concentrado, deve-se reduzir gradativamente o volume de leite e, a partir da quinta semana, fornecer concentrado em quantidade equivalente a 1% do peso vivo.
> A água deve ser oferecida a partir do momento em que a concentrada é introduzida, devendo ser fresca, limpa e sempre disponível.
Vários trabalhos descobriram que a disponibilidade de água está diretamente relacionada ao consumo de concentrado e à recuperação de quadros de diarreia. Bezerros que não têm água de bebida disponível consomem menos concentrado, o que reduz as taxas de ganho em cerca de 30% e atrasa o desenvolvimento ruminal.
Por outro lado, o fornecido de água no mesmo local do leite pode levar a um consumo descontrolado, sendo interessante evitar sua oferta nesse momento até que o bezerro perca o estímulo da mamada.”
> O feno pode ser oferecido a partir dos 40 dias de idade, deixando-o à disposição para consumo voluntário.
> Deve haver local específico para a água, outro para o leite e um cocho (ou fenil) de madeira para o feno e o concentrado, os quais devem ser higienizados a cada alimentação.
Descorna, desmame e peso.
A descorna deve ser realizada por volta dos 21 dias de idade, com uso de ferro quente próprio ou massa de descorna. O corte de tetos extras é recomendado aos 45 dias.
Recomenda-se realizar o desmame aos 60 dias; contudo, esse manejo pode ser antecipado caso o bezerro apresente bom consumo de concentrado e redução gradual da ingestão de leite a partir dos 45 dias de vida.
Portanto, a decisão sobre o momento ideal do desmame deve considerar o desenvolvimento alimentar individual de cada animal.
Em geral, o peso ao desmame tende a ser aproximadamente o dobro do peso ao nascer, respeitando o padrão da raça.”
> Para raças grandes, como Holandês e Pardo-Suíço, busca-se um ganho médio diário em torno de 1 kg; para raças menores, como Jersey, cerca de 700 g/dia até o desmame.
> Após o desmame, o bezerro deverá permanecer no mesmo local por mais 10 dias, para facilitar a adaptação à ausência de leite.
Modelos de bezerreiros
Casinha de bezerra externa
Possui cocho de ração e feno
Fotos do autor:


A bezerra tem local para descansar na casinha e pode circular em um pequeno piquete com pastagem

Bebedouro externo para bezerros
Casinha de bezerra interna
Aproveitamento de instalação coberta:
> No local, deve-se disponibilizar bebedouro, comedouro e fenil.
> A maravalha deve ser utilizada como cama no chão, com retirada diária das partes úmidas e substituições do material, mantendo uma higienização adequada ao ambiente.

Casinha fechada vasada com plástico

Material que é usado no crechário de suínos. Facilita a limpeza, não acumula material orgânico. Pode se usar água para limpeza.
Casinha de bezerra em plástico com cerca.
Facilidade de limpeza e higienização
Foto do autor

Facilita limpeza e higienização das mesmas, as mesmas são super leves; podem ser recolocadas em outro local por uma ou duas pessoas.
Recomendações do autor do blog
Pode-se usar palha ou maravalha para proporcionar maior conforto ao animal.
Todos os modelos de alojamento têm a mesma finalidade, e cada sistema é adequado a um tipo de propriedade.
Independentemente do sistema utilizado, é importante que, após o desmame da bezerra, o local ou a casinha sejam lavados e desinfetados.
No caso de casinhas de madeira, o uso de cal virgem como pintura é uma excelente opção, por seu efeito antibacteriano e fungicida.
Todos os bovinos possuem padrões de desenvolvimento que devem ser atingidos conforme a idade, e é fundamental relacioná-los com a raça.
Quando a bezerra não apresenta o crescimento esperado, é provável que se torne um animal de menor porte na fase adulta; por isso, o acompanhamento do desenvolvimento é essencial para garantir o potencial produtivo do rebanho.
Além disso, os bezerros oferecem diversos cuidados, pois ainda não possuem a mesma propriedade que os animais adultos, mesmo quando recebem colostro, leite, ração e feno adequados.”
Consequentemente, é fundamental adotar práticas de manejo que minimizem os riscos sanitários e promovam o desenvolvimento saudável dos animais jovens.
Recomendo ler um texto em PDF de uma pessoa que possui muita experiência na criação de bezerras
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Recomendo fazer leitura complementar de outro texto: O dia a dia de um produtor de leite