A produção de caprinos pode ter diferentes finalidades, como carne, leite, pele, fibra ou até mesmo animais de estimação. Quando o objetivo é a produção de carne de qualidade, torna-se essencial oferecer alimentação e manejo adequado das pastagens.
No sistema extensivo de produção de caprinos, os animais ficam soltos no pasto, o que exige pouca infraestrutura. No entanto, esse modelo apresenta baixa produtividade, ocupa grandes áreas e aumenta o risco de predação.
Sistemas de produção de caprinos
Extensivo produção de caprinos
Divisão de piquetes
Conheça o sistema extensivo com divisão de piquetes.
No sistema rotacionado, um método extensivo em que o produtor divide a pastagem em piquetes, ele transfere os animais periodicamente entre as áreas, o que melhora o aproveitamento do pasto e reduz a manipulação das forrageiras.
Dessa forma, ocorre o descanso da pastagem, o que evita o consumo excessivo.
Além disso, esse manejo melhora o controle da produção e dos animais e, por fim, contribui para reduzir a contaminação por vermes.
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Semi-intensivo produção de caprinos
No sistema semi-intensivo, os caprinos são soltos para pastagem durante o dia, após as 9h, e recolhidos à tarde para permanecerem em instalações à noite, o que reduz a contaminação por larvas de vermes.
As principais vantagens do sistema semi-intensivo são:
O sistema semi-intensivo aumenta a produtividade e facilita, sobretudo, o controle zootécnico e sanitário.
Além disso, reduz a contaminação por vermes e o risco de predação. Por outro lado, exige maior infraestrutura, como abrigos, cercas, bebedouros e comedouros.
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Intensivo produção de caprinos
No sistema intensivo, os caprinos ficam confinados em currais, com água e alimentos fornecidos em cochos.
Esse tipo de manejo, em geral, proporciona maior produtividade por animal e por área e ainda facilita o acompanhamento sanitário.
Por outro lado, apresenta alto custo com alimentação, estruturas e mão de obra, o que exige bom planejamento econômico na produção de caprinos.

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Sistemas de produção
A escolha do sistema de produção depende da região e das condições climáticas.
Por isso, no Nordeste, recomendamos usar caprinos resistentes e de baixa exigência alimentar, como animais sem raça definida.
Além disso, é possível combinar raças especializadas em corte para reprodutores,
o que melhora o desempenho da produção de caprinos sem perder a adaptação ao clima.
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Mitos e verdades sobre as práticas do bem-estar animal
As categorias na produçao de caprinos
BODE
- Animais com dentição definitiva completa possuem carcaça de baixo valor comercial, coloração mais escura e sabor mais forte.
Por esse motivo, são usados principalmente como reprodutores, mantidos com fêmeas na estação de monta, na proporção de 3% dos animais do rebanho.

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CABRA
Já as fêmeas adultas com dentição definitiva devem apresentar carcaça mínima de 16 kg para abate, pois, a partir desse peso, a carne tende a ter melhor rendimento e acessível no mercado.
Além disso, essas fêmeas precisam estar em bom estado corporal, com escore adequado, boa conformação e ausência de defeitos que prejudiquem a produção de caprinos.
Por fim, sempre que possível, selecione-se fêmeas com histórico de boa fertilidade, habilidade materna e ganho de peso esmagador dos cabritos, garantindo a reposição dos rebanhos e a qualidade das carcaças produzidas.

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CABRITO OU CABRITA
- Filhotes de caprinos até 7 meses, com dentes de leite e carcaça podem ter no mínimo 6 kg, sendo destinados à recria ou ao menor, sendo os machos castrados até os 30 dias.
Nessa fase, é importante garantir boa nutrição, sanidade e conforto, pois essas condições influenciam diretamente no desenvolvimento ósseo e muscular dos animais.
Além disso, a escolha entre recria e redução deve considerar o potencial genético, o desempenho de crescimento e o objetivo da produção de caprinos na propriedade, como foco em carne, reprodução ou reposição de matrizes.

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CABRITO JOVEM
- Machos imaturos de 7 a 15 meses, com dentição de leite ou mista e carcaça mínima de 15 kg, são classificados para menores.
Nessa categoria, os animais apresentam bom potencial de rendimento de carne, com carcaças mais claras e macias, o que favorece a acessibilidade pelo mercado consumidor.
Além disso, é fundamental que esses caprinos passem por manejo adequado de alimentação, sanidade e bem-estar até o momento do abate, garantindo melhor padronização das carcaças e maior valorização na produção de caprinos.

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MARRA OU CABRITA JOVEM
- Filhotes de 7 a 15 meses, com dentição de leite ou mista e carcaça mínima de 15 kg, são os mais indicados para o abate, pois apresentam boa conformação e carne mais macia.
- Além disso, quando mostra bom desempenho de crescimento, o produtor pode avaliá-los para futura seleção e recriar dentro do rebanho.

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O texto das categorias foram retirados da mesma fonte citada abaixo.
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O planejamento forrageiro
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Apidões e raças na produção na produção de caprinos
Leite: raças como Saanen, Toggenburg e Alpina são indicadas para produção de leite de cabra, utilizadas tanto para consumo direto quanto para queijos e iogurtes.
Além disso, essas raças se destacam pela boa produção diária e pela qualidade do leite, o que favorece a industrialização e a agregação de valor aos produtos lácteos caprinos.

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Carne:
As raças Boer, Anglonubiana e Canindé são destinadas à produção de carne caprina, que é magra, chinesa e com demanda crescente.
Além disso, esses animais apresentam bom rendimento de carcaça e crescimento rápido, o que contribui para maior eficiência na produção de carne de caprinos.


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Fonte do texto: https://www.cnabrasil.org.br/assets/arquivos/267_Caprinocultura_criacao-e-manejo-de-caprinos-de-corte.pdf
Fibra:
Raças Angorá e Cashmere são criadas para produção de fibras têxteis finas.
Além disso, essas fibras são muito valorizadas pela maciez, leveza e capacidade de isolamento térmico, o que as torna bastante procuradas pela indústria de roupas de alto padrão.

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Fonte do texto:
https://www.comprerural.com/conheca-a-cabra-angora-uma-raca-milenar-que-transforma-pelo-em-ouro
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Pele:
A raça Moxotó ou Canindé é utilizada para produção de couro destinada a artigos como sapatos, bolsas e luvas.
Além disso, esse couro é reconhecido pela boa resistência e qualidade, o que permite maior durabilidade e melhor acabamento nos produtos finais da indústria de couro caprino.
A Diversificação da produção:
Muitos produtores adotam sistemas de produção mistos, combinando carne e leite ou leite e pele, entre outros arranjos. Dessa forma, podemos aproveitar melhor o potencial dos caprinos, diversificar a fonte de renda e reduzir os riscos econômicos na atividade.
Realidade da minha região
Na região onde se trabalha, que abrange os municípios de Xaxim, Marema e Lajeado Grande, no oeste de Santa Catarina, a produção de caprinos é, na maioria das propriedades rurais, sistema extensivo para a subsistência, principalmente para o consumo da própria família.
Por esse motivo, existem poucas propriedades que realmente investem em genética e trabalham com a venda de reprodutores e matrizes na propriedade ou em feiras.
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Manejo na produção de caprinos
- A criação de caprinos envolve alimentação com pastagens, forragens, silagem e rações balanceadas, além de suplementação mineral quando necessário.
Além disso, a reprodução pode ser feita de forma natural ou por inseminação artificial, buscando melhoramento genético do rebanho. - O manejo sanitário inclui vermifugação, vacinação e controle de parasitas internas e externas.
Por fim, o bem-estar é garantido com abrigos limpos, bem ventilados, área de circulação adequada e oferta constante de água limpa.
Instalações na produção de caprinos
- O capril deve contar com galpões bem ventilados e protegidos, cercas resistentes e comedouros e bebedouros acessíveis e higiênicos
Comercialização na produção de caprinos
- Além disso, a criação de caprinos permite a produção de leite e derivados, carne para consumo local, venda de cabritos e também de produtos artesanais, como sabões e artigos de couro.
Vantagens na produção de caprinos
- A caprinocultura se destaca pela adaptação a climas secos, alta taxa de natalidade, rápido retorno econômico e necessidade de baixo investimento inicial.
Além disso, apresenta mercado em crescimento, especialmente para produtos artesanais e orgânicos compostos de leite, carne e couro de caprinos.
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Sanidade animal na produção de caprinos
É fundamental seguir rigorosamente o calendário de vacinação recomendado pelo técnico responsável pelo rebanho.
Vacine contra a Raiva:
Nos locais onde há registro de casos de raiva na região, recomenda-se vacinar os caprinos a partir dos 4 meses de idade, com reforço após 30 dias, e, depois disso, aplicar uma dose anual em todos os animais adultos.
Vacine contra as Clostridoses
A vacinação deve proteger contra doenças como enterotoxemia e tétano. Para isso, recomendamos aplicar a primeira dose entre os 2 e 3 meses de idade, fazer um reforço após 30 dias e, depois, repetir anualmente nos animais adultos.
No caso das fêmeas, é importante aplicar uma dose extra no 4º mês de gestação, para garantir a proteção das crias.
Vacine contra a Linfadenite Caseosa
Além disso, recomenda‑se vacinar os animais aos 3 meses de idade, aplicar um reforço após 30 dias e repetir a vacinação anualmente nos adulto.
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Controle de verminoses na produção de caprinos
O controle de verminoses em caprinos envolve manejo adequado de pastagens (rebaixamento, rotação e evitar baixasdas), vermifugações estratégicas (gestação, pós-parto e desmame) e exames periódicos de fezes.
Além disso, é essencial usar vermífugos de forma racional e avaliar periodicamente a eficácia dos produtos. Dessa forma, reduz‑se a infestação e melhora o desempenho do rebanho.
Sempre que possível, separe jovens de adultos, use pastos reservados para cabritos desmamados e adote pastejo consorciado com bovinos ou equinos.
Por fim, realize exames de fezes (tipo OPG) em 5 a 10% dos animais e descarte aqueles com sinais frequentes de verminose, como anemia, “papeira” e caquexia.
Assim, os rebanhos tendem a ficar mais saudáveis e produtivos.
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Diagnóstico e Monitoramento (essencial)
OPG (contagem de ovos por grama de fezes)
> Deve ser feito a cada 30–60 dias para identificar o nível de infestação.
> Além disso, o exame evita tratamentos “no escuro”.
> Por fim, ele ajuda a monitorar a resistência aos vermífugos.
FAMACHA na produção de caprinos
Sistema visual para detectar anemia causada por Haemonchus contortus .
Nesse sistema, animais com pontuação 1 e 2 não recebem tratamento.
Já animais com pontuação 3 devem ser coletados e, conforme o estado, o produtor pode iniciar o tratamento.
Por outro lado, animais com pontuação 4 e 5 recebem tratamento imediato.
Dessa forma, o tratamento seletivo ajuda a reduzir a resistência aos anti-helmínticos.
Tratamentos (com responsabilidade)
Principais anti‑helmínticos usados em caprinos
Entre os mais utilizados, destaca‑se a moxidectina, mais eficaz contra Haemonchus ; mesmo assim, o produtor deve usar com cuidado por causa da resistência.
Além disso, muitos criadores usam albendazol e fenbendazol (benzimidazóis), assim como o levamisol.
Em várias regiões, closantel e ivermectina têm eficácia variável.
É importante lembrar que caprinos metabolizam vermífugos mais rápido que ovinos e bovinos.
Por isso, o produtor muitas vezes aplica dose até 1,5x maior do que em ovinos, sempre seguindo a bula específica.
Endoparasitas (vermes, etc.)
> Nematóides gastrointestinais:
> O principal é o Haemonchus contortus (verme barbudo), que causa anemia grave e perda de peso nos animais.
> Outro nematóide importante é o Trichostrongylus colubriformis , que também provoca verminose.
> Além disso, o Oesophagostomum colubriforme é um nematóide que atua no trato gastrointestinal.
> Já os coccídios, como Eimeria , causam coccidiose, com diarreia e perda de peso.
Ectoparasitas (externos)
Carrapatos causam anemia, desconforto e ainda podem transmitir doenças.
As moscas, por sua vez, provocam exigentes, feridas e também transmitem doenças.
Já as sarnas incluem a sarna demodécica (bexiga) e a sarna psoróptica (caspa de ouvido).
Nas pediculoses (piolhos) , os animais se esfregam em troncos, cercas, paredes e objetos, com perda de pelos no pescoço, garupa, base da cauda, costelas e ao redor das orelhas.
Na miíase (bicheira), os animais sentem dor, apresentam odor forte e liberam articulação serosa ou purulenta.
Nesses casos , a região afetada mostra lesões, calor e sensibilidade ao toque.
Por fim, a mosca‑do‑nariz infesta as narinas, causando resultados e perda de peso.
Recomendações do autor:
Independentemente do sistema de produção de caprinos adotado ou das melhorias na propriedade, o produtor precisa manter atenção constante ao bem-estar, à sanidade e à nutrição dos animais.
> Quando o manejo é inadequado, o produtor perde dinheiro com mortalidade, baixo desempenho e perdas de qualidade inferior.
> Além disso, mesmo em propriedades sem finalidade comercial, a falta de cuidados técnicos aumenta os custos e deixa o animal para consumo da família mais caro do que o necessário.
> Por isso, investir em manejo, sanidade, genética e alimentação ajuda a deixar uma criação mais eficiente, rentável e sustentável, com carne de melhor qualidade e maior retorno por animal criado.
Recomendo fazer leitura complementar de outro texto: Produção de ovinos