Durante o verão, as vacas leiteiras sofrem com o estresse térmico em todas as regiões do Brasil. Como consequência, esse problema impacta diretamente a produtividade e a reprodução dos animais, gerando prejuízos econômicos.
Como resultado, nos Estados Unidos estima-se que o estresse térmico causa perdas de cerca de 900 milhões de dólares por ano.
No Brasil, por sua vez, devido ao clima predominantemente quente e úmido, o desafio é constante e exige estratégias de manejo específicas.
O estresse térmico ocorre quando a carga de calor recebida pelo animal é maior do que sua capacidade de dissipar essa calor.
Em outras palavras, o organismo da vaca não consegue eliminar todo o calor acumulado. As vacas sentem desconforto térmico em temperaturas mais baixas do que os seres humanos, por volta de 21°C, especialmente quando a umidade relativa do ar está acima de 70%.
Nessas condições, elas direcionam sua energia ao consumo de alimentos, o que leva à queda na produção de leite.
Além disso, a alta umidade também dificulta a evaporação do suor e a perda de calor pela respiração, agravando o problema. Por isso, o manejo adequado é essencial para reduzir os impactos do estresse térmico.
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Oque precisamos verificar
Além disso, noites quentes e nubladas impedem que os animais se resfriem melhor, o que elevam ainda mais os riscos associados ao estresse térmico.
Por isso, é fundamental adotar estratégias de manejo que minimizem esses efeitos e garantam o bem-estar dos animais.
Outro ponto importante é que algumas raças, como as férias Jersey, são mais resistentes ao calor e suportam temperaturas até 25°C sem perdas significativas na produção.
Os efeitos do estresse térmico também são bastante amplos e vão desde mudanças comportamentais até mudanças fisiológicas. As vacas passam a respirar mais rápido, suar mais, beber mais água e comer menos.
Como resultado, ocorre a redução da produção de leite e a alteração de sua composição, com diminuição dos teores de gordura e proteína
Além disso, há também mudanças hormonais, como aumento da prolactina.
Do ponto de vista comportamental, comportamentos típicos incluem procurar sombra, aglomerar – se para fazer sombra uma à outra, recusar-se a deitar e ficar próximo aos bebedouros.
Diante desse cenário, para minimizar esses efeitos e preservar a produtividade do rebanho, é essencial adotar boas práticas de manejo.
Consumo de água
O fornecimento adequado de água é crucial, pois as vacas em lactação consomem mais de 100 litros por dia e tendem a beber logo após a encomenda.
Dessa forma, é essencial que os bebedouros estejam localizados nos corredores e apresentem fluxo suficiente para que nunca fiquem secos. Assim, garante-se o acesso contínuo à água, fator indispensável para a saúde e a produtividade dos animais.
Além da água, a alimentação também deve ser adaptada.
Vacas de alta produção de leite podem consumir mais de 100 litros por dia.
Como as pastagens de verão precisam ser de alta qualidade, é importante
evitar alimentos com alto teor de fibra, pois eles aumentam a temperatura no rúmen e, consequentemente, a produção de calor.
Por isso, a escolha dos ingredientes da dieta é muito importante.
Além disso, a oferta de alimento suplementar à noite, quando a temperatura é mais amena, ajuda a manter o consumo.
A sombra é outro fator essencial. Por isso, cada vaga deve ter acesso a pelo menos 5 m² de sombra, seja por meio de árvores nos piquetes ou estruturas de artificiais, como sombrite.
Além disso, no galpão, o ideal é que também haja cobertura que apresente sombra durante as horas mais quentes do dia.
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Na gestão do rebanho
é importante reduzir o tempo e a distância de caminhada até a ordenha, evitar pátios sem sombra e minimizar o estresse durante o manejo.
A ordenha deve ser realizada nas horas mais frescas do dia, como no início da manhã e no final da tarde. Vacas mais afetadas pelo calor devem ser isoladas e receber cuidados especiais.
Por fim, sistemas de resfriamento como aspersores e ventiladores podem ser usados, especialmente na sala de espera antes da ordenha.
A combinação de água e ventilação auxilia no resfriamento por evaporação.
No entanto, é preciso garantir que o ar circule bem para evitar o aumento da umidade local.
Caso contrário, essa umidade extra pode agravar o estresse térmico.
Essas medidas integradas são fundamentais para preservar a saúde, o bem-estar e a produtividade das vacas leiteiras durante o verão brasileiro.
Resumo gerado por inteligência artificial e revisado por nossa equipe para garantir precisão e relevância.
Fonte: Dairy NZ
*Marcelo de Paula Xavier, produtor rural, formado em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, com Mestrado em Agronegócios pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi presidente da Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil por dois mandatos
Fonte: https://canaldoleite.com/artigos/vacas-leiteiras-enfrentam-estresse-termico-em-todo-o-brasil
Recomendações do autor:
Como podemos ver as fotos abaixo, podemos dar um bem estar aos animais
Possui várias alternativas dependendo do produtor procurar a melhor para a sua propriedade.
Cada propriedade é uma propriedade e única. Dificilmente vamos ter propriedades iguais.
Temos que fazer investimento para dar um bem estar aos animais, sim importante.
No entanto, esse processo deve ser realizado com cautela e de forma gradual.
Além disso, é importante priorizar as etapas conforme as possibilidades de cada propriedade
As três abaixo são do autor do blog




Fotos retirada do site: https://www.fmvz.unesp.br/Home/ensino/departamentos/producaoanimalemedicinaveterinariapreventiva/gebol-grupodeestudosembovinosleiteiros/de-sousa.etal-2022-sistemas-silvipastoril.pdf
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