O cruzamento em bovinos de corte: principais sistemas e benefícios produtivos

O aumento da competitividade com outras carnes, bem como com outros mercados, e a possibilidade de o Brasil se consolidar no mercado mundial de carne bovina exigem da pecuária de corte a oferta de produto de qualidade de maneira contínua durante todo o ano.

Além disso, essa demanda, juntamente com a necessidade de aumentar a eficiência do setor, tem sido um dos grandes motores do processo de reestruturação em curso na cadeia produtiva da carne bovina (EUCLIDES FILHO et al., 2003).

Em relação ao vigor híbrido, também chamado de choque sanguíneo, a heterose é o que se manifesta pelo qual os filhos provenientes de cruzamentos apresentam melhor desempenho (mais vigor ou maior produção) do que a média de seus pais.

Dessa forma, esse acasalamento resultarão em produtos de melhor constituição, mais vigorosos e com maior capacidade de produção.

Diversas pesquisas têm demonstrado que os produtos cruzados são, em geral, superiores aos produtos “puro-sangue” em uma ou mais características.
Além disso, esse benefício é ainda mais evidente quando o objetivo é obter uma renda imediata, pois os cruzamentos tendem a proporcionar ganhos produtivos e econômicos mais rápidos (SANTOS, 1999).

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Propriedade com recria de novilhas de corte e engorda de bovinos

Motivos dos cruzamentos

A principal razão para se fazer os dividendos orientados entre raças é aumentar a lucratividade (renda líquida) por meio do aumento da produtividade (eficiência de produção). 

Nenhuma raça é perfeita; por isso, cada uma apresenta pontos fortes e fracos.

Nesse contexto, o produto animal dos cruzamentos deverá combinar o elevado potencial de produção da raça de clima temperado com a adaptação da raça tropical.

Assim, quando o produtor escolhe raças específicas para os segmentos, ele combina o potencial de produção e a adaptação tropical dos animais cruzados ao meio ambiente.

Quanto mais complementares forem as raças, maior será a produtividade e, consequentemente, maior a lucratividade.

 Dessa forma, os cruzamentos entre raças, ou heterozigose, buscam gerar heterose, ou vigor híbrido, para um conjunto de características comercialmente importantes, especialmente as relacionadas à reprodução e à sobrevivência.

Como resultado, a heterozigose proporciona um ganho adicional “gratuito”, que permite que a produtividade dos animais cruzados exceda a produtividade de ambas as raças-base. 

Por esse motivo, é muito conveniente manter a heterozigose em nível elevado, e o produtor só consegue isso em promoções entre raças em rebanhos comerciais.
Em termos genéticos, diferentes mutações de raças modificam a frequência dos genes que controlam determinada característica e, dessa forma, geram heterozigose para essa característica.
Assim, quanto maior for a diferença na frequência desses genes, maior será um heterozigose no animal cruzado (Frisch, 2002).

Vantagens do cruzamento industrial Complementaridade

A combinação das qualidades desejáveis ​​das raças parentais permite a obtenção de uma progênie superior. Em outras palavras , quanto mais as raças utilizadas se complementarem nas características produtivas, melhor será o resultado dos produtos de cruzamentos.

Um exemplo bastante claro é a combinação de características de adaptabilidade. Nesse caso, aproveita-se a resistência e a fertilidade das vacas zebuínas, juntamente com o ganho de peso, a precocidade sexual e o melhor acabamento de carcaça das raças taurinas europeias. 

Portanto, lembre-se: estude cuidadosamente as características produtivas de cada raça antes de tomar qualquer decisão.

Além disso, os preços oferecem grande flexibilidade , pois permitem redirecionar o sistema de produção para atender às exigências do mercado. 

Por exemplo, se o mercado demanda carcaças acima de 270 kg, o produtor poderá alcançar esse objetivo de ações de preços com raças europeias de grande porte.

Os efeitos da heterose são maiores nas características de baixa herdabilidade, ou seja, aqueles fortemente influenciados pelo meio ambiente e que, por consequência, menos respondem ao processo de seleção. Entre essas características, destacam-se a fertilidade e a sobrevivência.

Historicamente, o período de separação mais longo ocorreu entre as raças zebuínas e taurinas. Por isso, a heterose tende a ser maior em cruzamentos entre raças taurus x indicus.

No entanto, em ambientes de estresse tropical, a heterose só se completa quando o produtor utiliza animais cruzados totalmente adaptados a esse ambiente.

Assim, para maximizar os benefícios dos índices, o produtor deve planejar a sequência em que utiliza as diferentes raças, de modo que, ao mesmo tempo, maximize a heterose e mantenha a adaptação ao ambiente.

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Regras para o novilho precosse

Caracteristicas das raças

Tão importante quanto a heterose para maximizar a produtividade, são os atributos das raças para determinar as características do cruzamento. (Franklin).

Os Zebuínos: Nelore, Guzerá, Gir, Tabapuã e Brahman. Raças com cupim

Taurinos Europeus Britânicos: Angus, Hereford, Devon, Red Poll, Shortorn sem cupim

Os Taurinos Europeus Continentais: Marchigiana, Piemontês, Charolês, Limousin, Blond D’aquitaine, Simental, sem cupim

Por outro lado os taurinos tropicais ou adaptados, como Caracu, Senepol, Tuli e Bonsmara, não possuem cupim; no entanto, são altamente adaptados ao clima tropical.

Tipos de Cruzamento

TERMINAL

Com duas raças taurinas continentais x matriz zebu = F1 destinada ao abate

Vantagens:- 100% de heterose nos produtos – Elevado potencial de crescimento- Simplicidade na execução e flexibilidade do sistema

TERMINAL

Com três raças taurinas britânicas x   matriz zebu = F1 destinada a reprodução 3a RAÇA x MATRIZ F1 = Todos produtos destinados ao abate

RED ANGUS x MATRIZES NELORE = MATRIZES ½ + RED ½ + NELORE CANCHIM x MATRIZES ½ + RED ½ + NELORE PRODUTOS 1. ½ CANCHIM+¼ RED +¼ NELORE⇒ PRONTOS PARA O ABATE.

ROTACIONAL Entre 2, 3 ou mais raças:

Alternando-se as mesmas entre as gerações. Ideal para criadores que desejam usar as fêmeas produtos do cruzamento para reprodução, aproveitando o excepcional potencial reprodutivo das mesmas.

OBJETIVO – Machos – abate Fêmeas – reposição de matrizes RAÇAS TAURINAS INDICADAS Angus, Hereford, Devon, Senepol, Bonsmara.

ROTACIONAL

Com duas raças ou crisscross Red Angus x Nelore:

Neste sistema duas raças são acasaladas, as fêmeas resultantes (F1) são mantidas como reposição, estas são acasaladas com uma das raças parentais.

Nas gerações seguintes as fêmeas são acasaladas com reprodutor da raça diferente da raça paterna, dentre as raças utilizada no cruzamento inicial. Em ambientes tropicais deve-se utilizar preferencialmente a raça mais adaptada, sobre a matriz F1.

Vantagens: A reposição é produzida dentro do próprio sistema

Possibilita o aproveitamento da precocidade sexual das fêmeas, aumentando o desfrute do rebanho. Permite execução em rebanhos de menor escala (tamanho de rebanho).

A partir da segunda geração as matrizes, pelos efeitos da heterose materna, produzem 15% a mais de Kg de bezerro desmamado/vaca

ROTACIONAL

Com três raças ou tricross Nelore x Red Angus x Senepol e 100 % adaptado

Nesse sistema de cruzamentos , duas raças são acasaladas e as fêmeas resultantes (F1) são mantidas como ordem. 
Em seguida, essas fêmeas F1 são acasaladas com uma terceira raça, não relacionadas com as raças utilizadas anteriormente, o que permite preservar as mesmas características maternas das primeiras cruzamentos.

É importante frizar conferindo ao produto adaptabilidade ao ambiente de criação.

Assim, para que o produto possa usufruir plenamente dos benefícios da heterose, ele deve estar bem adaptado ao meio ambiente.

Nas condições tropicais brasileiras, o uso de raças Taurinas adaptadas constitui-se uma grande alternativa como terceira raça da rotação.

Neste sistema duas raças são acasaladas e as fêmeas resultantes (F1) são mantidas como reposição, estas são acasaladas com uma terceira raça não relacionada com as raças utilizadas anteriormente, preservando as mesmas características maternais do primeiro cruzamento.

É importante frizar conferindo ao produto adaptabilidade ao ambiente de criação (Frisch,2002).

Vantagens:- A reposição é produzida dentro do próprio sistema. Possibilita o aproveitamento da precocidade sexual das fêmeas, aumentando o desfrute do rebanho.

A partir da segunda geração as matrizes, pelos efeitos da heterose materna, produzem até 25% a mais de Kg de bezerro desmamado/vaca. – Na primeira e segunda geração, obtêm-se 100% de heterose. Nas gerações sucessivas este sistema retém níveis de heterose estabilizados em torno de 87%.

Resumo de todo o textp gerado por inteligência artificial e revisado por nossa equipe para garantir precisão e relevância.

Autor: Alexandre Zadra 2023

Fonte: documento em PDF Cruzamento Industrial: Processo Chave para Obtenção de Novilhos Precoces Alexandre Zadra1 site:  https://crossbreeding.com.br/cruzamento-industrial-processo-chave-para-obtencao-de-novilhos-precoces/

Cruzamento de bovinos de corte

Foto retirado do site: https://crv4all.com.br/pt

Recomendações do autor:

O cruzamento de bovinos de corte com raças diferentes, só tem a ganhar.

Em resumo, a heterose é importante para aumentar a produtividade do rebanho.

Antes mesmo de querer fazer cruzamentos, procure visitar uma propriedade na sua região que seja parecida com a sua. Buscar algumas experiências que possa levada para a sua propriedade.

Pelo tempo de experiencia que tenho imporante ver se a raça vai se adaptar a região. Seja pelo clima, relevo, questões de parasitas, manejo, pastagens. São pontos fundamentais para dar certo.

Realizar uma pesquisa de mercado pela procura do bezerro cruzado, valor de venda, custo de produção etc.

Além disso, é fundamental solicitar a orientação de um técnico, médico-veterinário ou zootecnista com experiência para avaliar se sua ideia é viável. 
Com esse apoio, é possível elaborar um planejamento de custos que inclua instalações, melhoria das pastagens, compra de algumas fêmeas e uso de sêmen para inseminação artificial ou de touro para cobertura natural.

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Castrar ou não castrar bovinos:

Instalações para bovinos de corte: bem-estar, manejo e produtividade

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