Em resumo a Produção de leite de qualidade envolve boas práticas de alimentação, manejo, higiene, sanidade do rebanho, armazenamento, controle de mastites.
Aqui estão os principais fatores para garantir um leite saudável e com qualidade.
1.Nutrição estratégica: a base para o teor de gordura e proteína
Sem dúvida uma boa nutrição é um começo para uma boa produção
- Fornecer uma dieta balanceada com volumosos (silagem, feno, pasto) e concentrada rica em energia e proteínas.
- Garantir acesso à água limpa e fresca
- Suplementação mineral e vitamínas adequadas.
2. Manejo do rebanho: Como o bem-estar impacta a qualidade final
Enquanto isso:
- Manter um ambiente limpo e confortável, com área de descanso seco e bem ventilado.
- Realizar ordem regular e evitar mudanças bruscas
- Monitorar a saúde dos animais e separar os pacientes para evitar contaminação do local.
3. Protocolo de ordenha: foco na baixa contagem bacteriana (CBT)
Portanto para a Produção de leite de qualidade devemos ter a contagem bacteriana com niveis mininos.
- Lavar e secar bem os tetos se caso for necessário, ou somente usar pré-diping;
- Realizar o teste da caneca de fundo preto para identificar mastite subclínica;
- Realizar a secagem dos tetos com papel toalha;
- Usar a máquina de ordenha bem reguladas e higienizadas para evitar danos nos tetos;
- Após a ordenha, faça o pós-dipping com produtos desinfetantes.
- Importante deixar o animal em pé por um minuto, isso ajuda a fechar o esfíncter evitando uma possível contaminação bacteriana.
4. Sanidade do rebanho: o primeiro passo para um leite seguro e saudável
Portanto para a Produção de leite de qualidade não podemos ter animais doentes na propriedade.
- Manter um calendário de vacinação atualizado para prevenir doenças.
- Realizar controle de mastite com exames periódicos e tratamento adequado
- Implementar programas de controle parasitário.
- Controle de brucelose/tuberculose: Os exames de brucelose são realizados na coleta do leite especifica para este caso uma vez a cada seis meses.
- Os exames de tuberculose são realizados uma vez a cada 36 meses em todos os animais que estão, estão registrados no sistema sigen Cidasc.
- Implementar o controle de mastites na propriedade.
5. Refrigeração e armazenamento: preservando a qualidade “da porteira para fora“
Por fim para a Produção de leite de qualidade, deve ter bom armazenamento.
- Resfrie o leite rapidamente a 4°C em até 3 horas para evitar o aumento bacteriano.
- Usar tanques de expansão limpos e bem conservados.
- Realizada coleta de amostra de qualidade do leite, o leite é carregado para o laticínio. Coleta a qual vai verificar a qualidade do leite e como produtor vai receber o produto.
- Composição minina do leite:
- Os elementos sólidos representam aproximadamente 12 a 13% do leite;
- Gorduras 3,5 e 5,3%;
- Proteína 3% e 4% dos sólidos encontrados no leite;
- Água 87 %;
- Carboidratos Lactose 5% (4,7 a 5,2%);
- Mineriais 0,8 %.
Sem dúvida não pode conter resíduos de medicamentos nas amostras de leite.
Dessa forma o Leite cru refrigerado de tanque individual deve apresentar médias geométricas trimestrais de contagem de placas de no máximo de 300.000 UFC/ml (trezentos mil unidades formadoras de colônia por militros).
E contagem de células somáticas de no máximo de 500.000 CS/ml (quinhentas mil células por mililitros).
Adotar essas práticas garantem um leite com menor contagem bacteriana, baixa CCS (Células Somáticas) e melhor composição nutricional, valorizando o produto no mercado.
6 Infraestrutura e higeine: o papel do ambiente e do ordenhador
Dessa forma:
Manter a sala ou local de ordenha sempre limpos;
Utilizar água de boa qualidade (potável);
Lavar os equipamentos e utensílios após cada ordenha com água aquecida, usando os detergentes de acordo com o manual do fabricante dos mesmos;
Trocar borrachas e mangueiras do equipamento de ordenha na frequência recomendada pelo fabricante ou quando ocorrerem rachaduras;
Lavar os tanques de refrigeração, usando água aquecida e detergentes adequados cada vez que o leite for recolhido pelo transportador
Lavar as mãos, usar luvas de látex descartável e mantê-las limpas durante a ordenha (de preferência, usar luvas de borracha);
Usar roupas limpas para realizar a ordenha dos animais.

Foto acima do autor do blog
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Erros que podem prejudicar a reprodução dos bovinos: principais causas e como corrigir no manejo
8 Guerra contra a mastite: estratégias para reduzir a CCS
Em resumo para a Produção de leite de qualidade devemos ter baixo indice de mastite.
A mastite é a inflamação do úbere da vaca e deve ser reconhecida e tratada para não afetar a produtividade do rebanho.
Como resultado existem dois tipos de mastite:
Clínica: é fácil de perceber, pois a vaca pode parar de comer, ter febre e reduzir muito a produção de leite, o úbere fica inchado e avermelhado, e o leite apresenta grumos, pus e outras alterações.
O tratamento é essencial para evitar o contágio do rebanho e a morte do animal. A detecção é feita pelo teste da caneca de fundo escuro nos primeiros jatos.
Se assim mesmo houver dúvidas, deve ser feito o teste do CMt, sigla de “California Mastitis test”.
Subclínica: não apresenta nenhum dos sintomas acima, a não ser redução da produção de leite, que quase sempre passa despercebida. Para sabermos se a vaca está com mastite subclínica, temos que observar se houve um aumento da Contagem de Células Somáticas (CCS) no leite, por meio de análise
laboratorial. O problema é que quase todos os casos de mastite são da forma subclínica, fazendo com que o produtor muitas vezes não perceba que tem um problema sério em seu rebanho: como ele não enxerga a doença, as mastites são de longa duração e causam enormes prejuízos, principalmente pelo leite, que deixa de ser produzido.
Por isso, a CCS é uma ferramenta muito importante no manejo do gado leiteiro.
Nesse contexto o MAPA e as indústrias estão preocupados com as consequências da mastite no rebanho, pois essa doença altera profundamente a qualidade do leite, reduzindo o rendimento industrial, a validade dos produtos lácteos, além de afetar o produto oferecido ao consumidor.
A mastite causa prejuízo para todos, desde o produtor rural até o consumidor.
Controle da mastite na rotina
Como resultado em caso de mastite (inflamação do úbere), as células de defesa do animal passam do sangue para o leite em grande quantidade.
Portanto a função destas células é combater as bactérias que estão causando a mastite e “limpar” as áreas inflamadas. Sempre que o número dessas células (CCS) aumentar no leite, pode-se dizer que a vaca está com mastite.
Dessa forma para prevenir a mastite, deve-se seguir uma rotina rigorosa na ordenha:
Por fim manter a máxima higiene durante a ordenha (mãos e equipamentos limpos e desinfetados);
Dessa forma retirar os primeiros jatos de cada teta em uma caneca de fundo escuro, e colocar para o final da ordenha as vacas cujo leite apresente grumos, filamentos, pus ou sangue;
Por fim imergir as tetas em solução bactericida antes da ordenha;
Em seguida acoplar as teteiras em tetos limpos e secos;
Ordenhar primeiro as vacas saudáveis (baixas CCS) e, separadamente, as vacas com mastite clínica e as tratadas com antimicrobianos;
imergir imediatamente as tetas em solução bactericida após a ordenha.
Medidas complementares: diagnóstico e prevenção
Portanto anotar em planilhas simples informações importantes, como a identificação das vacas e das tetas que tiveram mastite clínica e as datas de ocorrência, o nome dos antimicrobianos usados para o tratamento das mastites e as datas de aplicação, a identificação das vacas e dos tetos que tiveram mastite subclínica (alta CCS) etc.
Descartar vacas com problemas de mastite crônica (recorrente).
Fazer o tratamento em todas as tetas de todas as “vacas secas”
Assegurar-se que animais comprados não estejam com mastite
Caso o produtor queira, quando realizar o controle leiteiro, ele poderá encaminhar amostras de leite de cada vaca para análise de contagem de células somáticas (CCS) nos laboratórios da RBQL .
Enquanto isso alguns fatores que podem interferir na produção e composição do leite:
• Raça; • Estágio de lactação; • Herança genética; • Porção e intervalo entre as ordenhas; • Estação do ano; • Saúde da vaca; • Mastite.

Foto retirado do site:
https://blog.esteiogestao.com.br/como-a-mastite-afeta-a-composicao-do-leite/
Recomendo fazer leitura complementar de outro texto:
Prevenção da mastite: Boas Práticas na Ordenha e no Pós-Ordenha
Gestão de medicamentos: segurança alimentar e controle de resíduos
Portanto para a Produção de leite de qualidade não pode ter residuos de medicamentos.
Por fim o Leite com resíduos de medicamentos veterinários não deve ser comercializado, pois pode:
Trazer prejuízos à saúde do consumidor (alergias, anemias, problemas no fígado, problemas nos rins, problemas reprodutivos);
Consequentemente isso vai desenvolver resistência em bactérias causadoras de doenças nos consumidores;
Inibir ou interferir no crescimento dos fermentos usados na produção de queijos e iogurtes;
Causar a condenação e o descarte de uma grande quantidade de leite e produtos lácteos;
Impedir que produtos lácteos brasileiros sejam exportados para outros países.
Tratamentos térmicos como pasteurização e ultra-pasteurização não eliminam os resíduos dos medicamentos veterináros presentes no leite.
Dessa forma para evitar problemas com resíduos de medicamentos no leite, o produtor rural deve:
Aplicar medicamentos somente nos casos recomendados pelo Médico veterinário que assiste a propriedade;
Descartar o leite das vacas tratadas durante o prazo de eliminação do produto no leite, escrito na bula;
Em resumo marcar as vacas tratadas com pulseiras, carimbos ou outra forma de identificação, para que todos os envolvidos com o rebanho saibam que o leite deve ser descartado;
Anotar em planilhas simples e ao alcance de todos o dia e a hora do tratamento, o medicamento usado e o prazo de eliminação do produto no leite, escrito na bula;
Lavar bem equipamentos e utensílios sempre que ordenhar uma vaca tratada;
Nesse contexto fazer o tratamento de “vaca seca” em todos os animais, 60 dias antes do próximo parto, observando o período de ação do produto, para evitar resíduos no leite após o parto. Os principais medicamentos utilizados em vacas leiteiras são os antimicrobianos, os antiparasitários e os antiinflamatórios.
Quais os medicamento mais usados
• Antimicrobianos: são medicamentos extremamente eficientes para o combate de micróbios causadores de doenças nas vacas, desde que sejam utilizados corretamente, sob a orientação de um Médico veterinário. Estes incluem antibióticos, sulfas e outras bases farmacológicas. tratamentos para curar ou prevenir a mastite são os principais responsáveis pela contaminação do leite por antimicrobianos. Prevenindo essa doença, o produtor corre menos risco de contaminar o leite com essas substâncias.
• Antiparasitários: são produtos veterinários usados no combate a carrapatos, moscas-dos-chifres, berne e também às verminoses. Ao contrário do que muitos pensam, esses medicamentos também causam resíduos no leite, que deve ser descartado durante o prazo de eliminação informado na bula.
•Antiinflamatórios: podem ser usados para reduzir os efeitos de uma inflamação, além de diminuírem a dor que o animal possa estar sentindo. Estes medicamentos também deixam resíduos no leite e devem ser usados sob a orientação do Médico veterinário.
Em resumo quando um medicamento é aplicado em uma vaca para combater uma infecção, o leite que ela produz passa a conter resíduos desse produto por um determinado tempo. Durante esse período, o leite não deve ser aproveitado ou comercializado, sendo muito importante verificar e seguir as informações do fabricante do medicamento.
Resumo gerado por inteligência artificial e revisado por nossa equipe para garantir precisão e relevância
Fonte do texto:
Coleção Senar nº 133 produção de leite conforme instrução normativa nº 62: https://www.senar-ap.org.br/uploads/biblioteca/2015/06/producao-de-leite-conforme-instrucao-normativa-n-62.pdf
e revisado por IN 77 de 2018
Recomendo fazer leitura complementar de outro texto:
Como é o dia a dia de um produtor de leite: rotina real no campo
Recomendações do autor do blog:
A CCS (Células Somáticas) indica o nível de inflamação da glândula mamária. Valores altos reduzem o rendimento de derivados como queijos e diminuem a vida útil do leite nas prateleiras.
A CBT (Contagem Bacteriana) está diretamente ligada à limpeza do equipamento e à eficiência do resfriamento.
Consequentemente como as frases acima descrevem a situação quando o leite não possui qualidade, o produtor vai receber menos a agroindústria não consegue produzir um leite e seus derivados com qualidade.
No final do processo toda a cadeia perde quando o leite não possui qualidade.
Importante o laticínio possuir um setor para ter o controle de qualidade do leite.
Portanto a produção de leite de qualidade, o produtor ter um compromisso em ir melhorando com o tempo e aprendendo com os erros e acertos.
Possui vários profissionais e empresas empenhados em melhorar a qualidade do leite, é uma questão de cultura e atitude.
Nesse contexto as indústrias de laticínios estão começando a pagar mais pelo leite de melhor qualidade, premiando aqueles produtores que investem na melhoria da qualidade do leite.
Portanto melhorar a qualidade do leite não é uma opção, é um compromisso de quem produz.
Em resumo produzir alimentos seguros é garantir saúde à população. Cada um de nós deve fazer a sua parte!

Foto cedidas por Rafael Maciel da Silva Zotecnista que está fazendo intercâmbio na Autrália.