Abortos em vacas: por que acontece? Veja causas como doenças, nutrição, estresse e problemas reprodutivos e como prevenir.
Como se classifica os abortos em vacas:
Perdas embrionárias: (até ~45 dias):
Ocorre reabsorção embrionária, geralmente sem sinais visíveis; a fêmea pode retornar ao cio.
Fase intermediária:
Pode haver abortos, muitas vezes com eliminação de fetos pequenos ou pouco desenvolvidos.
Aborto:
Ocorrem abortos tardios, nascimento de fetos mortos (natimortos) ou crias fracas que morrem logo após o parto.
Taxas de abortamento acima de 5% ou surtos concentrados indicam problemas reprodutivos no rebanho. As causas podem ser não infecciosas (medicamentos, plantas tóxicas, manejo inadequado) ou infecciosas (virais, bacterianas, parasitárias e fúngicas), sendo estas últimas as mais comuns em ruminantes no mundo.
Mumificação fetal:
Ocorre quando o feto morre e permanece no útero com a cérvix fechada, sem contaminação. Ele sofre desidratação, tornando-se menor e firme (mumificação fetal). Identifica-se por palpação retal e pela ausência de cio na fêmea.
Maceração fetal:
Ocorre quando há morte fetal e a cérvix da matriz abre-se, permitindo a entrada de microrganismos, ou quando já há endometrites (infecções uterinas) pré-existentes, com bactérias que causam a rápida decomposição do feto no interior do útero, muitas vezes levando a complicações de toxemia e morte da matriz.
Natimorto:
Refere-se ao natimorto, quando o feto já é viável, mas nasce morto, geralmente no terço final da gestação, podendo morrer antes, durante ou logo após o parto.
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A foto demostra uma vaca após o parto, oque seria o ideal.

Foto retirado do site:
https://www.comprerural.com/brucelose-um-prejuizo-que-voce-pode-evitar
Abortos em vacas: principais causas
Neosporose em vacas: como causa abortos
Causada pelo protozoário Neospora caninum, sendo uma das principais causas de abortos e natimortalidade em bovinos, além de afetar pequenos ruminantes. Os cães e canídeos selvagens são os hospedeiros definitivos, eliminando oocistos nas fezes e contaminando o ambiente.
O consumo de material contaminado causa principalmente a infecção, e a mãe pode transmiti-la ao feto (transmissão vertical), provocando abortos em qualquer fase da gestação — com maior frequência no final — além do nascimento de animais fracos ou natimortos.
Não há tratamento ou vacina, e o controle envolve manejo adequado: evitar contato de cães com o rebanho, impedir contaminação de alimentos e água, realizar sorologia (especialmente na compra de animais) e adotar medidas sanitárias, podendo incluir o descarte de fêmeas positivas conforme a situação do rebanho.
Toxoplasmose em vacas: riscos de aborto
Causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, tendo os felinos como hospedeiros definitivos e diversos mamíferos e aves como intermediários. Os gatos eliminam oocistos nas fezes, contaminando o ambiente.
Nos rebanhos, a infecção pode causar perda fetal, devido a lesões na placenta que comprometem o oxigênio do feto, sendo mais comum em ovinos.
Não há tratamento ou vacina, portanto o controle baseia-se em sorologia, manejo adequado e redução do contato com felinos. Medidas importantes incluem evitar a circulação de gatos nas áreas de criação, controlar sua alimentação e exigir exames sorológicos na compra de animais.
Tricomonose: impacto reprodutivo
Causada pelo protozoário Tritrichomonas foetus e transmitida principalmente durante a monta natural. É mais comum em sistemas extensivos com menor controle sanitário.
Não possui hospedeiro intermediário, e sua principal manifestação é o retorno ao cio devido à perda embrionária, além de abortos até o quinto mês de gestação. Pode também causar baixa taxa de natalidade e estação de partos prolongada. Touros geralmente não apresentam sinais, mas podem ter leve inflamação do prepúcio.
O diagnóstico baseia-se no histórico reprodutivo e em exames laboratoriais. O controle inclui uso de inseminação artificial, repouso sexual das fêmeas e vacinação, que ajuda a reduzir perdas embrionárias.
Abortos por Brucelose: e as suas consequências
É uma doença bacteriana causada por Brucella spp., de grande importância econômica e de saúde pública por ser uma zoonose de notificação obrigatória.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com fetos abortados, placentas, secreções, leite e ambientes contaminados, além da monta natural.
Provoca abortos (após o sexto mês de prenhes em bovinos), repetição de cio, retenção de placenta, nascimento de animais fracos e problemas reprodutivos em machos, como orquite e infertilidade.
Como funciona o controle da Brucelose em Santa Catarina
Os cuidados com a brucelose incluem a compra de animais com exames negativos, realização de monitoramento periódico (como testes no leite), e atenção às normas sanitárias. Em Santa Catarina, a prevalência é baixa, com controle rigoroso.
Por ser uma zoonose, pode ser transmitida ao ser humano pelo consumo de leite não pasteurizado ou pelo contato com materiais contaminados, sendo essencial o uso de equipamentos de proteção, como luvas.
Na propriedade com foco da doença após a realização dos exames com resultados negativos, o produtor é obrigatório a vacinar os animais contra a doença.
E na propriedade com vinculo de foco ou tenha vínculo com a doença é permitida a vacinação. Uso da vacina RB 51 com idade acima de 3 meses de vida. Não é permitido a vacinação com B19.
Em todo o território catarinense, é proibida a vacinação contra brucelose em bovinos e bubalinos machos de qualquer idade.
Ruminantes reativos para qualquer teste de triagem para a brucelose devem ser submetidos a abate sanitário, evitando a disseminação da enfermidade entre rebanhos, e seus subprodutos não podem ser consumidos.
Os produtores vão receber uma indenização quando acontece o abate sanitário, para poder comprar animais para a continuação da propriedade.
Uma forma de estimular o combate a essa enfermidade é o fornecimento do certificado de propriedade livre de brucelose, como adesão voluntária dos produtores.
Para a brucelose bovina, é considerada propriedade 24 livre a que possui dois resultados consecutivos sem nenhum animal reativo, num período mínimo de seis meses.
Abortos por Leptospirose: impactos e problemas
É uma doença causada pela bactéria Leptospira sp., tendo os roedores como principais reservatórios, podendo infectar animais e humanos.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com secreções contaminadas, como urina, além de vias venérea, transplacentária, mamária e oronasal entre os animais.
As consequências incluem prejuízos produtivos, como infertilidade, abortos (principalmente no final da gestação), mas pode ocorrer em outros momentos da prenhes, natimortalidade e nascimento de filhotes fracos. Também podem ocorrer retenção de placenta e problemas de subfertilidade.
O diagnóstico pode ser feito por meio de lesões observadas no feto, como icterícia, hemorragias e inflamações em órgãos.
A prevenção e controle baseiam-se principalmente na vacinação do rebanho, iniciando em bezerros de 4 a 6 meses, com reforços periódicos, além da separação de animais infectados e uso de medidas de higiene e proteção.
Cuidados importantes incluem evitar água contaminada (como de enchentes), clorar a água e impedir o acesso de roedores a alimentos e instalações.
Realizar controle de roedores nas instalações, colocar alimentação em local fechado ou local mais alto.
Resumo gerado por inteligência artificial e revisado por nossa equipe para garantir precisão e relevância
Boletim nº 209 Epagri 2023
Fonte: https://publicacoes.epagri.sc.gov.br/BT/article/view/1606/1479
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Foto acima é do autor do Blog
Abortos em vacas e a saúde pública:
O aborto em vacas é um problema significativo que vai além da produção agropecuária, representando um risco direto à saúde pública devido ao seu caráter zoonótico, ou seja, doenças transmissíveis de animais para humanos.
A ocorrência de abortos infecciosos, como brucelose e leptospirose, coloca em risco produtores, veterinários, técnicos e consumidores de produtos lácteos.
Educação sanitária e prevenção de abortos em vacas:
Conscientização do produtor:
Importância de entender causas e riscos dos abortos em vacas
Manejo sanitário adequado:
Higienização de instalações, limpeza de bebedouros e alimentação.
Vacinação preventiva:
Imunização contra doenças como brucelose e leptospirose.
Isolamento de animais doentes:
Separação imediata de vacas com sinais de aborto ou infecção.
Controle de vetores e roedores:
Prevenção de transmissão de doenças como leptospirose.
Monitoramento constante:
Acompanhamento da saúde reprodutiva do rebanho.
Registro e acompanhamento:
Documentar casos de aborto para identificação de padrões e melhorias.
Como trabalhar após acontecer abortos em vacas
Em resumo identificar a causa dos abortamentos é essencial para evitar prejuízos econômicos diretos e indiretos, embora seja difícil devido à necessidade de vários exames e à decomposição dos fetos.
Consequentemente a falta de diagnóstico favorece a disseminação de agentes no rebanho e entre propriedades, podendo inclusive representar risco à saúde humana. Com o diagnóstico, é possível adotar medidas de controle e prevenção.
Portanto é fundamental coletar o máximo de informações sobre a fêmea, como identificação individual e histórico, para auxiliar no diagnóstico. Também é importante a avaliação de um médico veterinário, com exame (toque) e investigação das possíveis causas dos abortos.
1 Quando foi inseminada ou coberta;
2 Registro de prenhes por toque e
3 Quanto tempo de prenhes ou prazo de parto.
Recomendações do autor do blog:
Sem dúvida os abortos em ruminantes representam um problema reprodutivo de grande impacto econômico e sanitário, causado por múltiplos fatores infecciosos e não infecciosos.
Em resumo a identificação precisa das causas, por meio de diagnóstico adequado e histórico reprodutivo detalhado, é fundamental para implementar medidas de controle e prevenção.
A partir disso as estratégias como manejo sanitário rigoroso, sorologias, vacinação quando disponível, isolamento de animais infectados e controle de hospedeiros intermediários são essenciais para reduzir perdas, proteger a saúde do rebanho e prevenir riscos zoonóticos aos humanos.